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Nutróloga Pediatra ensina como manter a alimentação saudável das crianças durante a Pandemia



Nova rotina familiar e alimentar. A pandemia da Covid-19 provocou mudanças em todos os hábitos e aprender como manter a alimentação saudável, especialmente das crianças é um desafio constante. Para auxiliar os pais a garantirem boas escolhas alimentares e instruírem as crianças sobre a importância da alimentação correta, a Médica Gabriela Fezer, Nutróloga Pediatra da Clínica Medical Kids e do Centro de Desenvolvimento Acolher, destaca as principais alternativas para manter a saúde e boa nutrição dos pequenos.


Gabriela é médica pediatra com especialização em Nutrologia Pediátrica. Graduada em medicina pela Faculdade Evangélica do Paraná, em Curitiba, no ano de 2013 com residência médica em Pediatria no Hospital Infantil Pequeno Príncipe, também em Curitiba, de 2014 a 2017. Possui título de especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (2017).


Após terminar a residência de Pediatria, trabalhou por um ano em Curitiba, em um centro de reabilitação para crianças com deficiência (CRAID). Nesse ano de trabalho, sentiu necessidade de aprimorar a formação para melhorar o atendimento de crianças com demandas nutricionais e ingressou no ano seguinte na residência médica em Nutrologia Pediátrica, no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis (2018-2020). Durante a residência, realizou estágio no Centro de Dificuldades Alimentares (Instituto Pensi) em São Paulo-SP, no ano de 2019.


As crianças estão sem aula e, portanto, todas as refeições são feitas em casa. Como planejar essa rotina alimentar?


A alimentação das crianças precisa ser planejada com um equilíbrio de macro e micronutrientes, ou seja, precisa conter um balanço tanto de carboidratos, proteínas e gorduras de boa qualidade, como também uma quantidade suficiente de vitaminas e minerais. Isso se alcança incluindo na alimentação delas opções variadas de todos os grupos alimentares: frutas, verduras, grãos integrais, leguminosas, carnes, peixes e ovos.

Por mais que o os horários das aulas online e também do trabalho dos pais em home office seja muitas vezes diferente do habitual, é importante tentar manter, na medida do possível, uma rotina para as refeições, com horários regulares e ao menos uma refeição por dia em família.


Como controlar o pedido por doces, salgadinhos e demais alimentos industrializados?


É importante conversar com as crianças para que entendam a diferença de alimentos saudáveis e nutritivos e de outros que não contribuem para a saúde e que podem causar doenças em longo prazo. Baseado nisso, pode-se estabelecer regras e exceções, excluindo alimentos industrializados, guloseimas, frituras, entre outros, da rotina diária. A opção é que possam ser consumidos eventualmente, em quantidades moderadas, em finais de semana ou datas comemorativas.

Como explicar a importância da alimentação saudável para as crianças e fazer com que queiram contribuir nesse processo?


Podemos aproveitar esta época de homeschooling e tirar um tempo para fazer pesquisas com as crianças. Alguns temas podem ser um nutriente específico; buscar entender a função e importância desse nutriente em nosso corpo; investigar em qual alimento encontrá-lo. Depois da pesquisa, os adultos podem preparar junto a criança uma receita gostosa e nutritiva com esse alimento, fazendo com que esse processo aconteça de uma maneira lúdica, instigando a curiosidade da criança e envolvendo-a de forma prática na dinâmica alimentar. Assim, o aprendizado ocorre de forma natural e duradoura.


Em caso de crianças que já apresentam problemas com obesidade, como melhorar a rotina de alimentação e viabilizar a prática de exercícios físicos?


A obesidade infantil é um problema de saúde bastante sério, e o tratamento só mostra resultado quando a família toda está envolvida no processo. Então, podemos aproveitar este momento em que os pais estão mais em casa, e portanto, mais presentes na rotina das crianças, para fazer um compromisso entre pais e filhos e reduzir a compra de alimentos industrializados e com “calorias vazias” (ricos em açúcar, farinhas refinadas e gordura trans).


É importante enfatizar que os responsáveis pelas compras da casa são os pais, então vamos evitar incluir esses alimentos na lista de compras para que não fiquem à disposição da criança. Em vez disso, procurar fazer substituições mais saudáveis em receitas, podendo, por exemplo, trocar o açúcar refinado por frutas secas ou outros adoçantes naturais.


Com relação às atividades físicas, podemos pensar em atividades divertidas que a criança goste e que possa ser realizada com ela dentro de casa, como dançar, pular corda, pequenos circuitos de gincana, ou jogos com bola e outras atividades ao ar livre, se a casa dispuser de um quintal ou um espaço um pouco maior.


É muito importante que a atividade seja prazerosa para a criança, para que não se torne uma obrigação. Ao mesmo tempo, é preciso manter uma rotina e regularidade para realizá-las, ao menos uma vez ao dia.


Existem sintomas da Covid-19 relacionados à alimentação que devem ser observados nesse momento de pandemia?


Diretamente relacionadas a alimentação não. Algumas crianças com Covid-19 podem apresentar sintomas gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal, que podem ser confundidos com sintomas de intoxicação alimentar ou de gastroenterites de outras etiologias infecciosas.

Que outras ações podem ser realizadas para incentivar a alimentação saudável dos pequenos e que eles também se sintam motivados para seguir as recomendações?


· Pedir que as crianças ajudem a fazer uma lista de compras com alimentos saudáveis da sua preferência, e ter esses alimentos disponíveis para elas;


· Pesquisar receitas fáceis com os alimentos saudáveis favoritos das crianças e incentivá-las a ajudarem no preparo dessas receitas, respeitando é claro, as habilidades de cada faixa etária, sempre com segurança;


· Se a criança não gostar de um alimento na primeira vez que o oferecer, não forçá-la a comer, mas também não desistir desse alimento, tentar oferecê-lo novamente e em diferentes preparações.;


· Usar a criatividade para montar pratos coloridos e divertidos! A apresentação da comida é uma forma de despertar o interesse da criança;


· Não fazer uso de chantagens ou castigos para que a criança coma;


· Na hora das refeições, evitar o uso de distrações (celulares, tablets, tv); comer em um ambiente tranquilo, com calma, sem brigas ou discussões, e de preferência em família;


Liziane Nathália Vicenzi - Assessoria de Comunicação Clínica Medical Kids

Jornalista - MTB 6142

Respostas de: Dra Gabriela Fezer - Pediatra especialista em Nutrologia CRM/SC: 19.667 | RQE 15.544 e 19.098

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